O Brasil perdeu hoje, sexta-feira, 25 de abril, uma das personalidades mais marcantes da música clássica: o cravista, maestro, construtor de instrumentos e médico Roberto de Regina, que faleceu aos 98 anos, em seu sítio em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, de causas naturais.
Nascido no Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1927, Roberto de Regina foi um dos pioneiros na introdução e difusão da música antiga no Brasil. Sua trajetória foi repleta de dedicação e paixão pela arte, deixando um legado que influenciou e inspirou gerações de músicos e amantes da música barroca. Formado em medicina, ele escolheu a música como sua verdadeira vocação, começando como pianista, passando a cravista e, mais tarde, se tornando regente. Sua relação com o Barroco sempre foi intensa e apaixonada.
Na década de 1950, Regina se tornou o primeiro a construir cravos no Brasil, e sua dedicação ao instrumento o levou a gravar os dois primeiros discos no país dedicados ao cravo e à música antiga. Ao longo de sua carreira, lançou 26 álbuns e 5 DVDs, e foi agraciado com inúmeras homenagens e prêmios. Em 2023, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1974, fundou, ao lado da cravista Ingrid Müller Seraphim, a Camerata Antiqua de Curitiba, um dos grupos mais respeitados no Brasil, dedicado à música antiga.
Além de sua carreira musical, Roberto de Regina também se dedicava ao artesanato e à pintura. No seu sítio, criou a Capela Magdalena, onde preserva uma pequena sala de concertos, com pinturas inspiradas no Barroco e um cravo do século XVIII, ambos feitos por ele.
A contribuição de Roberto de Regina para a música brasileira é um legado incontestável, marcando um capítulo crucial na história da música antiga no país.
No final do ano passado, foi concluído o documentário O Cravista, dirigido por Luiz Eduardo Ozório, sobre a vida e carreira de Regina. O filme foi finalizado na Casa Julieta de Serpa, com uma recriação de um baile real, acompanhada por dançarinos e músicos da UFRJ.
Em uma de suas últimas falas, Roberto de Regina expressou seu otimismo sobre o futuro do cravo: “Acredito que o cravo tem um potencial imenso para se manter vivo e se expandir. Ele é um instrumento único, com um som que lembra as cordas da guitarra, e vejo um futuro promissor para o cravo, especialmente entre os jovens.”