“O Cravista” vence o 42º Festival de Cine de Bogotá como Melhor Documentário de Arte.

O documentário brasileiro “O Cravista” foi premiado como Melhor Documentário de Arte no 42º Festival de Cine de Bogotá, um dos mais tradicionais eventos cinematográficos da América Latina. O filme concorreu com outros sete documentários finalistas na categoria e foi escolhido pelo júri em meio a uma seleção altamente competitiva. Ao todo, quase 3 mil filmes foram inscritos, representando 77 países.

Dirigido por Luiz Eduardo Ozório, O Cravista retrata a vida e a trajetória do maestro, cravista e artista plástico Roberto De Regina, uma das figuras mais importantes da música antiga no Brasil. Ao longo de décadas, De Regina dedicou-se à redescoberta e difusão da música renascentista e barroca, sendo no repertório barroco que concentrou grande parte de sua vida artística e intelectual.

Pioneiro no país, Roberto De Regina também foi um dos primeiros construtores de cravos no Brasil, numa época em que importar instrumentos desse tipo era praticamente inviável financeiramente. Movido pela paixão pela música antiga, passou a estudar e construir seus próprios instrumentos, contribuindo de forma decisiva para o renascimento da prática historicamente informada da música barroca no país.

Ao longo de sua carreira, Roberto De Regina também construiu uma importante discografia, com 25 álbuns em LP e 5 DVDs dedicados à música antiga, registros que ajudaram a difundir o repertório barroco para diferentes gerações de ouvintes.

Além da música, o maestro criou um espaço artístico singular em sua residência em Guaratiba, no Rio de Janeiro. Ali construiu a Capela Magdalena, concebida como um verdadeiro santuário dedicado à arte e à espiritualidade. A capela foi inteiramente decorada por ele, com pinturas que cobrem paredes e teto, criando um ambiente imersivo que dialoga com a estética da arte sacra barroca. No mesmo espaço, Roberto também criou um museu de miniaturas com mais de 500 peças, resultado de décadas de trabalho artesanal e pesquisa artística.

Roberto De Regina faleceu em 25 de abril de 2025, deixando um legado duradouro para a música brasileira e para as futuras gerações de intérpretes e pesquisadores da música antiga.

O diretor do filme, Luiz Eduardo Ozório, dedicou cerca de cinco anos de trabalho, desde a pesquisa inicial até a finalização do longa-metragem. Segundo ele, a proposta estética do documentário foi transportar o espectador para o universo do maestro.

“Foram cinco anos de pesquisa e produção para construir um filme que não fosse apenas biográfico. A ideia era abrir um portal no tempo e levar o público para dentro da casa do Roberto, acompanhando sua vida cotidiana como se estivéssemos no século XVIII. Por isso optamos por uma fotografia feita com luz de velas, criando uma atmosfera intimista e próxima da estética do período barroco.”

Com uma narrativa sensível e contemplativa, O Cravista acompanha o cotidiano do maestro em sua residência e revela a profunda relação entre arte, tempo e espiritualidade que marcou sua vida. A premiação no Festival de Cine de Bogotá consagra internacionalmente o filme e celebra a trajetória de um artista que dedicou sua existência à preservação e à reinvenção da música antiga no Brasil.

Confira todos os vencedores do festival:

MEJOR LARGOMETRAJE INTERNACIONAL

“WATER LILIES” (NENÚFARES)
Dirigida por: CHAN-HO
(COREA DEL SUR)

MEJOR DIRECTOR

SIMON PLOUFFE
(CANADÁ)

MEJOR DOCUMENTAL SOCIAL

“LES YEUX NE FONT PAS LE REGARD” (“VIENDO A TRAVES DE LA OSCURIDAD”)
Dirigida por: SIMON PLOUFFE
(CANADÁ)

MEJOR DOCUMENTAL DEL MEDIO AMBIENTE

“VIEQUES, ARCHIVO VIVO”
Dirigida por: JUAN CARLOS RODRIGUEZ
(PUERTO RICO /ESTADOS UNIDOS)

MEJOR DOCUMENTAL DE ARTE

“O CRAVISTA”- “EL CLAVECISNISTA”
Dirigida por: LUIZ EDUARDO OZÓRIO
(BRASIL)

MEJOR PELICULA COLOMBIANA

“ADIOS AL AMIGO”
Dirigida por: IVAN DAVID GAONA

 

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